Passear

Eu odeio festas, não sei como você pode gostar. E de casamento então… acho tão cafonas essas coisas que as noivas andam inventando!… Eu gosto de sair assim, nós dois. Quanto muito, encontrar família para almoçar ou jantar. Ou um casal de amigos. Essas confusões com muita gente junta são muito chatas. Pra não falar que você resolve passar o dia todo no salão e coisa-de-tal, longe de mim o dia inteiro, e, chega lá, também, sai conversando com aquelas pessoas que eu nunca vi antes e me deixa no canto com cara de paisagem.

E eis que me aparece você, na sala, finalmente pronta pra sair. Vestido não muito decotado, Justino até a cintura. Joelhos de fora. Aquelas sandálias que eu brinco que você devia usar na praia. Cabelo fofinho e cheiroso feito uma nuvem. Cordão no pescoço. Esse pingente… está num lugar que eu gosto muito… Braços, boa parte dos ombros,de fora. hmm os ombros são o melhor. Vontade de beijar, beijar, beijar… Deixa ver os brincos. Hmmmm. Não, o melhor mesmo é este pedaço onde os brincos ficam pendurados, e que o cabelo pensa que esconder. A maquiagem, nem precisava. Já é linda! Ela só realça.

“Eu mereço isso tudo? Você assim bonita?”

Seu sorriso, não sei se responde, tua bochecha fica vermelha. Tenho que te beijar.

“Não sei se vai me fazer bem tanta inveja que terão de mim.”

E vamos passear.

Sobre Sonhar

Estava falando, outro dia, sobre sonhos. Me perguntaram como são os meus. E eu achei curioso.

Eu me lembro de já ter sonhado muito. Me lembro de muitos sonhos antigos, de anos atrás, de sonhos de adolescente e da época de criança.

Antigamente, meus sonhos eram muito surreais. A porta de casa dava para o pátio de uma escola, mas a sala de aula era de outra. escola. O banheiro da escola era o supermercado e a menina do caixa me pagava por ter comido o que havia na sessão de frios, mas só na de frios. Podia beber refrigerante sem gelo desgraça se quisesse. Eu não podia esquecer de assistir o programa do Chaves durante o almoço, senão seria demitido da injeção que a bibliotecária me receitou.

Lembro de sonhar com o banheiro e acordar com a cama molhada. Lembro de, percebendo que sonhava, pedir para me beliscarem, como em desenho animado, e de, mesmo em sonho, doer de verdade. Da mãe me acordar quando sonhei com ela fugindo de casa. Do avô, há muito tempo finado, me chamando pra passear. Lembro de sonhar com tentar dormir e com o despertador tocando pouco antes de ele tocar de verdade.

Lembro de sonhos bons dos quais me arrependi de acordar e tentei voltar a dormir. E também da frustração de sonhar com outra coisa. E também de acordar aflito, agitado por causa de outros, apavorado, como Hamleto, de que o inferno possa ser a eternidade dormindo e sonhando.

Lembro de momentos em que confundi real e sonho. Aquela modorra, cansado, com sono, cabeça pra trás, tédio tédio. Eu ouvindo uma pessoa falar uma coisa e vou adormecendo, ouvindo aquela frase noutro cenário, de outra pessoa, as coisas param de fazer sentido. Cair na real aí é que é o pior.

Mas agora que tocamos nos assunto, percebo que já há algum tempo que não me lembro de ter sonhado. Me lembro de fechar os olhos para tentar dormir, de enrolar, olhar para o teto, para o escuro, a televisão, a janela, e de depois acordar. Não me lembro de sonhar. Os últimos sonhos de que me lembro já têm uns meses. Ainda assim, sonhei estar trabalhando, fazendo mercado, dirigindo pra casa pelo caminho de sempre, só isso.

Já tentei prestar atenção ao acordar, fixar a lembrança. A lembrança é um escuro. Tentei deixar um caderno na cabeceira da cama para anotar no meio da noite, se acordasse, ou pela manhã, se lembrasse. Não anotei nada. Não me lembro de nada, de nenhum.

Me lembro, isso sim, da lenda do homem sem sombra. História pavorosa que se conta às crianças. Será que ela pode ser pior do que a do homem sem sonho?

Sol-Nascer

Quando nós deitamos ontem, a promessa foi de acordarmos cedo para juntos vermos o sol nascer. É para isso mesmo que eu fiz questão de ter no quarto uma janela tão grande, quase a parede toda, de cima a baixo, de lado a lado, e de ter a cama nessa posição. É só deixar a janela aberta que o nascer do sol me acorda cedo pela manhã.

Mas descobri que você é muito dorminhoca. A luz do sol, que logo me despertou, não foi suficiente para você. Devia estar cansada também. Tive de lhe cutucar algumas vezes. Com cuidado para não lhe assustar. Quando consegui que acordasse, o sol relutava em nascer, aparecia e se escondia de novo. Você abriu o olho de pronto, embaçado, atrapalhado pela claridade que vinha da janela. Abriu-o rápido e fechou-o novamente, e de novo, e de novo. Apertou-os com as pálpebras e esfregou-os de encontro ao travesseiro. Piscou mais uma vez, olhando para mim.

O céu, meio que oval, alongado nos lados, branco branco. O sol, castanho, marrom, um tom desses. O tom eu já conheço e sei encontrar, seu nome não sei, não entendo de cores. Brilhava de lindo. Enfeitou seu sorriso e abriu o meu.

Foi o mais bonito nascer do sol que eu já vi. Desse sol que eu já conhecia. Mas pela primeira vez vi nascer na minha cama: seus olhos se abrindo.

Pela Janela

Entrou voando pela janela algo. Pelo colorido, parecia um beija-flor. Muita gente coloca nas janelas vasos de flores coloridas e bebedouros de água com açúcar para atraí-los. Não é incomum que se embebedem com aquela porcaria e percam o camino de volta, vão dar de cara com a janela de ouro apartamento.

Ele pousou na sanca branca do teto da sala, de cabeça para baixo. Beija-flor não podia ser. Morcego colorido? Borboleta. Uma borboleta diferente. Nas cores inusitadas, no formato das pintas e no do corpo.

Subi no encosto do sofá, perigava cair pela janela, para ver-lhe, curioso, e também para procurar um jeito de ajudá-la a sair. Decerto não sobreviveria muito tempo num apartamento. A gente se acostuma a viver nestas prateleiras de gente, odiando e achando esquisito, mas, só quando imagina uma borboleta viver aqui, é que se dá conta de que não é possível viver assim.

Sou baixinho e atrapalhado, tive de pôr a mão na sanca, que mal alcancei, para me equilibrar no encosto do sofá. Olhei pela janela. É alto.

Não precisei olhar muito a borboleta para ver que era uma farsa, uma mariposa muito grande, pintada. A pintura muito bem feita, só pode ter sido feita por um artista. Sem a simetria peculiar à mãe natureza, contornos bem delineados das manchas coloridas. Não sei que tinta foi usada, parecia muito natural. Talvez Deus tenha se cansado de suas regras habituais e resolveu dar-se uma pausa para brincar de pintar.

Escancarei toda a cortina e a janela e com uma revista ameacei cutucar-lhe para lhe mostrar o caminho para fora. Ela foi. Foi… para ser o que quisesse.

Escrevendo

Ele já tomou banho, está sentado na poltrona, pernas esticadas sobe o pufe, televisão ligada no telejornal de um canal europeu, sem som. A música vem do notebook que ele tem no colo. Uma daquelas bandas que só ele conhece.

Ela sai do banho de regata branca, dá pra ver o sutiã, aqueles feios que imitam a cor da pele. Cor da pele de quem? Está com os shorts velhos de algum pijama antigo, tão antigo que nem dá pra lembrar qual. Sem maquiagem, o perfume de sempre. Segura um frasco de creme. Que linda!

“Vem pra cama.”
“Vem pro colo rs”
“Você está trabalhando?”
“Escrevendo.”

Senta de pulo na poltrona ao lado dele.

“Sobre o quê?”
“O passeio da tarde.”
“Posso ler?”
“Fica aqui.”

Ela põe a cabeça no ombro dele e lê um pouquinho do que ele escreveu.

“Quer dizer que eu estava gostosa? rs”

Levanta a cabeça de novo, rindo.

“Delícia. rs”

Ele sorri, beija-lhe o pescoço, bem junto do ombro, como eles gostam.

“Queria conseguir viver disso…”
“De me beijar?”
“Disso eu já vivo rs”
“De escrever?”
“De escrever sobre como eu gosto de você.”

Ela ainda é pega de surpresa com algumas coisas que ele diz, ou com como ele diz. Mas do que gosta mesmo é de como os olhos dele se umedecem quando diz certas coisas. E de ele pausar o que faz para pousar a cabeça em seu colo.

Ela aproveita a posição, beija-lhe a cabeça, ainda cheira a xampu, e fala baixinho em seu ouvido, como se ali houvesse alguém mais que pudesse ouvir o segredo que não é segredo.

“Vai ficar escrevendo?”
“Mais um capítulo.”
“Capítulo?”

Ele se vira pra ela.

“É. Vou escrever em você.”

A está altura eles nem sabem mais onde foi parar o notebook. Estão sentados virados um para o outro, uma mão em cada pescoço, a outra procurando a cintura ou o sovaco pra abraçar.

“Vai escrever com os dedos? Digitando?”
“Primeiro com a boca. Depois, deixa ver pra onde a história leva.”

Acho que ela nem entendeu ele dizer isso. Já estavam se beijando antes de ele terminar a frase.

Fumaça

Fire“Todos escrevam no papel um desejo. Algo que queiram realizado. Algo que queiram muito muito mesmo… Eu sei que já é tarde, escuro, frio. A fogueira está quentinha, mas ilumina pouco. Dá sono. Mas vamos tentar fazer o melhor possível. Pensem bem no que vocês vão escrever. Escrevam algo que vocês sempre quiseram muito, que querem há muito tempo…”

“Escreveram? Todos já escreveram?”

“Agora? Prontos?”

“Vamos lá. Agora, refletindo sobre o que vocês escreveram, vocês coloquem o papel no envelope, fechem, colem. Fechem bem para ninguém abrir, para ninguém conseguir saber o que está escrito aí.”

“Paciência, que já acaba e vocês vão pra cama.”

“Pronto?”

“Agora, vamos, devagar, cada um na sua vez, com cuidado pra ninguém se machucar, colocar os envelopes na fogueira, pra queimarem. Depois nós sentamos de novo em torno dela, olhando a fumaça subir, levando eles pro céu.”

Smoke

“Vamos, devagar. Cuidado pra ninguém se machucar.”

“Vão colocando na fogueira e sentando. Levantem a cabeça, olhem para cima, a fumaça subindo… o céu escuro, a lua, as estrelas… a fumaça indo pra lá. Reflitam.”

“Todos já colocaram? Eu sei que o sono está pesado, mas olhem para cima, a fumaça subindo.”

“Agora, já é quase meia noite. Vocês podem se recolher, descansar, e pensar em pra quê adiantou ficarem acordados aqui no frio e fazer tudo isso.”

 

 

Marshmallow

MarshmallowMarshmallow! rs
Teus lábios são macios como marshmallow. Mas são úmidos. Imagina dois marshmallows sem aquele melado do açúcar e úmidos assim, na medida certa.
É difícil descrever pra você imaginar.
Não ia ficar tão gostoso. Acho que faltaria algo. rs
Esquece. Não têm nada a ver. Que besteira que eu disse!

 

Seu Perfume

Eu acordei no meio da madrugada, senti um vento quase frio chicotear meu pescoço. Trazia teu perfume mais para perto de meu rosto. Foi o suficiente para me acordar, ansioso que estava de ficar com você, juntos, acordados, mais um pouco.

Não estava tão cansado, nem com tanto sono. Mesmo assim, meus olhos teimavam em não acordar. Cegos no escuro do quarto. Fechei-os. Tinham de se acostumar com o escuro, com o ar, com o que fosse.

Ajeitei um pouco mais a cabeça no travesseiro, um pouco mais para perto de você. Meu nariz tocou algo, acho que seu travesseiro, nele também senti teu perfume, de novo, ali um pouco mais forte, e também nosso suor, já gelado.

Cheguei mais a cabeça, não alcancei a sua. Mas teu perfume, ali, e a brisa que o fazia rodopiar a meu redor, me confortavam e acalmavam de forma que, se não fosse doido para lhe tocar, poderia dormir assim para sempre.

Você devia estar já perto da borda da cama. Cheguei as pernas para lhe alcançar, em conchinha e não alcancei. Abri os olhos, para te procura. Escuro, os olhos ainda embaçados, não enxerguei nada.

Espreguicei as pálpebras piscando três ou quatro vezes. Inspirei mais uma vez, fundo, teu perfume gostoso e estiquei a mão para acariciar-lhe as costas, que deviam ainda estar nuas, já sentindo pena, e muita vontade, de te acordar.

Eu vi quando minha mão não te encontrou.

Sobressaltado, pulei. Sentei-me na cama. Aquele vento gostoso bateu em minhas costas nuas, suadas e gelou-me todo. Seu lado da cama, seu travesseiro, estavam arrumados como se você nunca tivesse existido.

Sem entender, deitei-me nele te procurando. O que encontrei… só seu suor e seu perfume, no travesseiro, na cama, em meu rosto e em meu corpo. Apavorado, foi aí, assim, que acordei.

inominado

Essa noite eu tive um sonho de sonhador. Maluco que sou, eu sonhei com o dia em que a Terra parou.
— Raul Seixas, O Dia em Que a Terra Parou

A campainha tocou.
Fui à janela, olhar quem era, mas não havia janela.
Bateram então à porta.
Procurei a porta onde ela ficava e, depois, de onde veio o barulho.
Só achei parede.
Olhei em torno e o quarto, sem portas ou janelas, estava escuro.
Liguei o interruptor e a luz não acendeu.
No castiçal que enfeita a mesa, há uma vela.
Em meu bolso, fósforos.
Risco um, o escuro há de acabar.
Acaba, numa explosão, de uma vez, tudo acaba.

Aziago II: De volta ao café

De volta ao café, hoje dormi quase a tarde toda. Manhã de merda, péssimas notícias. À noite, foi feio fazer isso, eu sei, mas eu queria ficar sozinho. Fiquei. Sozinho entre estranhos, ali no terraço do café. Preciso escrever.

Por coincidência, não existem coincidências, sentei-me na mesma cadeira de ontem. Era a única disponível. Mesmo chá, mesmo charuto. Dois charutos no mesmo fim-de-semana. Não pode. Este fim-de-semana pode. Só este, eu juro. Juro pra ninguém, talvez pra mim. Levanto a cabeça, a mesma lua. Crescente, um pouco maior que ontem. Mais dois dias talvez para estar cheia. O céu limpo e escuro também é o mesmo. Eu, sentado aqui, acho que também sou.

Estou cansado. Além de tudo, cansado. Não só por tudo, por ter dormido à tarde também. Dormir cansa, dá sono. Dormir fora de hora acaba com a gente.

Nunca bebi tão rápido meu chá. O grupo de amigos na mesa do fundo, os casais namorando, nunca os invejei tanto. Inveja da despreocupação, da alegria, da noite de sábado que promete. Está frio, nem sinto. O dedo que acho que quebrei na academia lateja. Tiro as botinas para dar-lhe mais folga. Pés grandes, botinas grandes. Mesmo assim, por vezes acho que deviam sr maiores. O charuto está meio esquecido, o chá acabou. Os dois casais do canto à minha direita já acabaram também, mas recomeçaram. Já estou aqui há quase uma hora e eles ainda não trocaram duas frases. Tenho vergonha de tanta inveja. Não quero olhar-lhes, merecem um sábado só deles. Levanto os olhos pra lua de novo e uma lágrima ameaça escorrer. Pego o charuto finalmente e dou uma baforada de encher a boca toda. Cuidado para não aspirar. Me atrapalho e aspiro um pouco. Incomoda, tusso fraco, discreto pra não chamar a atenção. Isso me deixa tonto. Pra me recompor e me distrair, levanto de novo o rosto para a lua. Encosto a cabeça atrás, no vidro que serve de parapeito ao terraço. Fecho os olhos e fico olhando a lua. De olhos fechados, quieto, enfadado de pensar.

Quando abro os olhos de novo, os dois casais já estão nos finalmentes. Não me incomodam. Aprendi a não me incomodar com isso. Os amigos tem sono,me continuam conversando e brincando, em câmera lenta. Os casais, alias, também estão em câmera lenta. Os finalmentes em câmera lenta são os melhores. Vou deixá-los em paz.

Arrumo minhas coisas, terminar o post fica para depois. Muito chá, preciso ir ao banheiro antes de sair. No banheiro, ao lado da privada, havia um desenho na parede. Um gato tomando café e fumando, cercado de estrelas e tetos de edifícios. Gato é bicho vagabundo! Que mal gosto desenhar em parede de banheiro! Lavo as mãos, saio secando-as nas calças. Não gosto desses aparelhos modernos que secam as mãos com vento.

Na saída só banheiro, devo ter demorado. O café já está fechado. Escuro, vazio. Fico encabulado de pensar nas caras dos funcionários, do segurança, quando eu descer para sair. Desço. Não tenho que me envergonhar das caras deles. Não há ninguém. A porta está trancada. Fiquei preso.

Forço a porta, abre-se uma fresta. Talvez eu passe, emagreci. Parece que a porta não foi feita para ser fechada. Isso não da segurança. Aliás, achei que o café não fechasse no sábado a noite. Passo o pé, o braço. La fora está muito frio. Ninguém na rua. O corpo não passa. Nem volta. Agora, além de preso, estou entalado. Que aflição!

Lembro-me de histórias de tentativas de fuga da cadeia perto de casa, quando era criança. Sempre havia a história do preso que ficou entalado no túnel. Não consigo imaginar um jeito pior de se morrer. Fico impaciente, começo a me bater. Acho que a porta vai quebrar, mas ela não vai.

Páro para descansar os músculos e os nervos. Não consigo me ajeitar numa posição melhor. Suspiro fundo, só piora as coisas. A porta comprime meu diafragma e acho que vou sufocar. Não agüento o peso da cabeça. Me desespero. Na calçada, há algo caído. Um pano vermelho. Ainda consigo ver o que é. É um sutiã, de renda, cor-de-vinho, bordado em preto. Uma das garotas, daqueles casais do canto, usava um assim. Eu tinha visto antes de sair. Ela deve tê-lo jogado pelo beiral.

Ainda tento me debater, desesperado. A porta não abre, nem quebra. E eu não desentalo. Sou um animal. Um animal de burro. Agora um animal preso em esparrela. Só posso chorar, mas nem isso consigo, o diafragma comprimido pela porta. Não respiro. Vou desmaiar. Desmaiar aqui, sem respirar, significa que morrerei.

Com o braço que está pra fora, tento forçar a maçaneta. Nem consigo levantá-lo para a alcançar. Falta força. Sinto a pressão cair, sei o que vai acontecer. A nuca dói, por pouco tempo. Gosto de sangue vem à minha boca e seu cheiro ao nariz. Logo fico leve mas não agüento mais o peso de minha cabeça. Ela tomba e pende pra fora da porta.