Viriato

 

21995-zamora-viriato“Enquanto ele comandava, ele foi mais amado do que alguma vez alguém foi antes dele.”
    — Diodoro da Sicília

 

Os Portugueses creem-se os inventores da guerrilha, talvez tenham sido, não sei.

Há mais ou menos 2000 anos, quando os romanos tomavam a Peninsula Ibérica, os Lusitanos, pouco numerosos, organizados em pequenas comunidades e vilas rurais, sem uma unidade nacional, um governo, rei, exército ou coisa do tipo resistiu bravamente até o último momento.

Sem rei, sem exército, cada família ou comunidade enviava representantes para conversar com as outras e organizar a defesa da terra. Desses representantes, Viriato, camponês da Serra da Estrela, pastor, de família prestigiosa (provavelmente não havia o conceito de nobreza), sobressaia-se.

Nos contatos entre as aldeias, cada vez mais estava claro: os Lusitanos simplesmente não tinham como constituir um exército para batalhar em campo a resistência a Roma. Resistir era loucura!

Viriato e mais alguns malucos que o seguiram – e para o que se propuseram deviam ser malucos mesmo – deixaram a terra decididos: “Se não podemos combatê-los, vamos fazê-os mudar de ideia.”

Por sete anos, conciliou tentativas de acordos diplomáticos e feitos militares folclóricos e incríveis. Avançou com seu pequeno grupo escondido em direção a Roma. Em cidades onde a opressão romana era mais sentida, atacava sorrateiramente acampamentos do exercito romano à noite. Os soldados, quando amanheciam, encontravam mortos generais, juízes, coletores de impostos e outras pessoas que a população local identificassem como opressores.

Espalhava o terror entre o comando do exercito romano e a admiração entre o gentio.

Seu grupo cresceu com isso, aos poucos, virou um pequeno exército que o permitia ataques estratégicos e emboscadas contra tropas mais numerosas. Enfrentou em combate Serviliano que perdeu 3000 soldados numa batalha contra poucas centenas de lusitanos e simpatizantes. Os romanos, a esse ponto já recuavam muito longe da península.

Serviliano, capturado, trocou sua vida por uma acordo de paz. De volta a Roma, é desonrado e desautorizado pelo Senado que novamente declara guerra aos Lusitanos e envia Servílio Cipião com dois exércitos em direção à península.

A superioridade numérica dos romanos não basta. Baixas impressionantes de altos funcionários e militares romanos voltam a opinião pública contra a campanha. Cipião sugere a Viriato negociarem nova paz. Viriato, já então tratado por Roma como Imperador Ibérico, envia três homens seus de confiança: Audas, Ditalco e Minuros.

Cipião compra-os e eles, de volta ao acampamento assassinam Viriato. Tal o respeito que desfrutava o lusitano que os assassinos, ao reclamarem sua recompensa, são enviados a Roma e condenados à morte pela traição. Ouvem do próprio Imperador: “Roma não premia quem trai tão valiosos homens.”

Os lusitanos continuaram batalhando. Viriato foi substituído por Táutulo, e este por Sertório. A impossibilidade de vencer os romanos se impôs, a Lusitânia é anexada, mas os feitos dos seus obrigaram Roma a acordar termos dignos.

A Lusitânia já não existe mais, misturados aos mouros, aos godos, aos galegos, seu sangue faz parte desse Portugal em que o sul da Galícia se tornou. É esse sangue que temos em nossas veias.

Quando lutamos por nosso orgulho, não há concessão justificável.

“Ó Pátria ergue-se a voz dos teus egrégios avós… ” ouça-a e eu não preciso explicar mais nada.

 

CRUZ

 

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