Primeiro Beijo

Não sei se já contei de meu primeiro beijo, acho que não. Na verdade, nem há o que contar. Fui beijar o rosto de uma menina e ela entortou a boca até a minha. Foi contorcionista. Fingi não ter acontecido nada, até que meus amigos denunciaram que já estava tudo combinado. Combinado entre eles, não comigo. Ela então tentou beijar de verdade e eu não tive coragem de recusar e fazê-la passar vergonha na frente de todos. Foi bom. Saiu-me uma boa experiência. Repetimos várias vezes. Me lembro sem emoção desse beijo. Não houve nada de especial.

Já houve outros primeiros beijos, não foram os primeiros da vida, os quais antecipei muito. Nem todos aconteceram. Aliás, a grande maioria não. De alguns, me lembro com nostalgia. Foram primeiros de uma relação ou de uma tentativa. Outros, foram primeiros de expectativas. Foram primeiros. Completamente diferentes um do outro. Por que eu mudo de um ao outro.

Se me reergo, me reconstruo, não sou mais o mesmo de antes. Não penso, nem quero o mesmo. Tenho nova cabeça, novos sonhos. Nova realidade. Aprendo a apreciar coisas diferentes e a relevar besteiras. De repente, gosto de cuspe não incomoda mais, os olhos estarem abertos ou fechados é irrelevante. Mas sentir relaxar o braço de quem me abraça, conforto de se sentir à vontade comigo, pode ser emocionante de marear o olho.

O beijo talvez seja como encostar o lápis no papel para desenhar. Mudam o lápis, o desenho, o estado de espírito. Como o primeiro traço. Cada desenho tem um. Cada relacionamento tem um. E, acredito no auto-desenvolvimento, acredito que a cada novo primeiro beijo, esse é o primeiro porque já então somos diferente de quem fomos antes.

Em certo nível, acho que todos esperamos o primeiro beijo e sonhamos que ele seja o definitivo.

Desculpa

Disse o menino para a menina:

“Nem sempre eu te dou boa noite, desculpa. Às vezes, parece que é porque o telefone está sem sinal, muitas vezes é mesmo, ontem foi a bateria que acabou, mas nem sempre é isso. É que, se demora pra ouvir teu boa noite, fico com receio do meu te incomodar. E também, eu sempre quero te desejar uma boa noite… mas nunca quero me despedir.”

😉

 

Tatoo

Queria te tatuar em mim de um jeito que você nunca me deixasse. Que te levasse para todo lado, comigo, feito unha e carne. Não como uma bolsa, frasqueira a tira-colo. Queria te levar como parte de mim.
Se já te levo em pensamento, constante, em lembrança viva sempre, quero te levar também em meu corpo. Nele todo. Não só no braço, na perna ou nas costas. Não num lugar só meu, mas em mim.
Quero te tatuar sem tinta. Você mesma em mim. Um parte do outro para sempre.

A História do Ovo

Está é a história de um ovo de galinha. Você conhece ovo de galinha, não conhece? Eles não são redondos, nem ovais. Aliás, oval é uma palavra besta que arrumaram pra algo que não é como um ovo é. A forma oval é simétrica em dois eixos. Na escola, nos ensinam a fazê-la com lápis, dois pregos e um barbante. O ovo não é oval. Ele parece ser oval de um lado e redondo do outro. Mas isso depende de como a galinha o pariu. Ovo, quando nasce, é quente e mole, deforma fácil. Fica mais comprido, mais estreito, mais gordo, mais redondo, de acordo com a anatomia e esforço de sua mãe.
O nosso ovo, nosso é modo de falar, ele é da galinha, nosso ovo é dos mais comuns, passaria despercebido no meio de tantos outros ovos. Irmãos, primos, vizinhos. Todos iguais perante um humano. Mas não aos outros ovos.
Esse não parou em pé, nem deitado. Talvez tenha sido um impulso involuntário do granjeiro quando o pousou ao lado dos outros. De repente, tenha lhe tocado de leve, um peteleco, e ele, desequilibrado, tombou. Como João Bobo, bateu no seu vizinho da direita, e voltou, bateu no da esquerda, escorregou um pouco. Era muito torto esse ovo. Haveria um pinto brincalhão dentro? Ameaçou rodar, passou num vão entre outros dois. Encontrou a borda da mesa.
Quando achamos que iria se esborrachar no chão… o menino o pega e põe na bandeja. Aquela clássica de ovos. Vai ficar ali esperando ser quebrado para a refeição.
Talvez lhe façam só um fuinho e esvaziem para rechear com chocolate. Seria, todo pintadinho, um ovo de páscoa. Não pedia mais, já o menino o tinha salvo de sujar o chão.
Agora aceitaria ser pão, bolo, fritada, pochè, mas tinha o direito de querer ser ovo de páscoa.

Fantasia e Ilusão

Quando comecei a escrever estes meus textos pretensiosos, há uns dez anos atrás, eles eram um desabafo para mim mesmo. Escrevia e, logo, destruía. Queria que eles, consigo, levassem minhas tristezas e frustrações.
Levavam, mas não por muito tempo. Encontrava-as de volta daí a algum tempo, transformadas. E eu as escrevia e destruía de novo. Criava uma enorme lista triste, fermentada com todos meus maus pensamentos. Muitas vezes, escrevia à mão para ter o conforto físico de ver o tormento ser amassado, pisado, feito em pedaços e cinzas, jogado no lixo e abandonado.
Das dores mal aceitas, acuado, transformei-me em louco, eremita sem sonhos, vagava sem outro destino que, de dia em dia, de noite em noite, sobreviver. Quem não pousa a cabeça, não sonha, todavia não tem pesadelos. Vaguei assim, alguns anos, como zumbi.
Levou muito tempo para descobrir que o escrever que me faz bem é o do sonho e da fantasia. A fantasia é uma brincadeira sadia que fazemos com nosso interior, alegra momentos difíceis e colore os felizes.
Dizem que homem sonha em preto-e-branco. Sou homem, talvez menino, mas não sei, nunca reparei. Por outro lado, sei que colorir um sonho com fantasia é lindo e reconfortante.
À fantasia, às vezes, chamamos ilusão. São coisas diferentes. Ilusão não é um faz-de-conta, não é cor. É pura sombra, feita para esconder, esconder dos próprios olhos. É uma mentira. Inconsciente, mas mentira. É enganar. E faz-nos andar em círculos.
Quando descobrimos essa mentira, que mentimos a nós mesmos, dói. Não como fantasia. Dói de verdade.

Amizade é Mais que Amor | Dr. Flávio Gikovate

Amizade é Mais que Amor | Dr. Flávio Gikovate

Algumas coisas que eu também suspeito.

As Várias Faces da Mentira | Dr. Flávio Gikovate

As Várias Faces da Mentira | Dr. Flávio Gikovate

Também Gostei.

Respeite o meu direito de não querer te ouvir ou ver | Dr. Flávio Gikovate

Respeite o meu direito de não querer te ouvir ou ver | Dr. Flávio Gikovate

Gostei.

Vou guardar.

Starbucks

Eu não gosto da Starbucks. O café é ruim, tem gosto de carvão. O chá gelado vem morno, nunca gelado. O cappuccino vem morno também, não quente. Mesmo assim lota e eu não arrumo outra explicação para lotar além das pessoas gostarem de pagar de americanófilas, carregando seus copos enormes de café com aquele logo de sereia, cartolina em volta.

Quando há lugar para sentar e, veja bem, espaço e ar para respirar, é, por outro lado, um lugar agradável. Quando não quero ou não posso almoçar, se encontro espaço num, pego um cappuccino, enorme (venti) com chocolate e me sento, matando tempo, vendo a banda passar. Peço muito muito quente. Faço cara de ênfase. Me respondem “OK, X-Hot!” Parece que tem funcionado.

Atualmente, faço isso com o tablet no colo, a anotar algo que aconteça de interessante enquanto descanso, para depois escrever sobre isso. Às vezes, escrevo na hora mesmo, e nem vejo a banda passar.

Sempre achei triste esse pessoal que se senta sozinho no café mexendo no notebook enquanto a vida corre. Não quero me tornar um. Mas me sento sozinho por outro motivo. A banda que passa, ela não me interessa mais.

Na última semana, peguei duas bebidas para mim. Quem passasse poderia pensar que minha companhia foi pegar guardanapos, ou ao banheiro. Eu sei que não. E quando saí hoje, buscar um cappuccino para beber à tarde no trabalho, não tinha almoçado, nem queria, foram dois que pedi. XXX-Hot! No trabalho, coloquei-os juntos ao lado do notebook e bebi devagar enquanto escrevia isto.

Não sei se o gosto a que me sabem é o mesmo que aos outros. Duvido. Encontrei o gosto que me agrada na Starbucks. Não é o gosto do American Way…

Cappuccinos com Chocolate, Venti, X-Hot, XX-Hot