Meu Medo

Eu até pensei em arrumar uma desculpa esfarrapada pra desmarcar. A gente já tinha desmarcado tantas vezes.

Iria rever minha menininha. Não, não era minha filha. É uma garota legal que eu conheço. Digo menininha porque a conheci bem nova. Cara de criança ainda. Bochechinhas sem marcas, lisinhas como eu não me lembro de ter tido.

Havia muito não nos víamos, mas andávamos conversando bastante. Ela era encantadora. Esperta, inteligente, sensível, risonha (sim, eu sabia que ela é risonha). Difícil não se apaixonar. Eu mesmo tinha que me esforçar muito. Inveja de quem convive com ela, dos colegas, de todos. Ela deve ter vários apaixonados secretos. E outros nem tão secretos. Já pensou se aquela menininha tiver crescido numa mulher linda? Meu D’us! Que perigo! Não seria possível resistir.

Eu, ansioso, errei o caminho (a obra que interditava a avenida ajudou), errei a entrada do estacionamento, errei a entrada do café. A vi pelo vidro. Estava entretida com o telefone, encolhida na cadeira, de costas para o vidro. A luz fraca não ajudava a ver mais. Encontrei uma porta do outro lado, dei toda a volta, burro que sou, havia uma bem mais perto.

Ao entrar, não suspirei, segui em sua direção.

Ela, quando me percebeu, pousou o telefone e se levantou. Ainda há alguns metros, antes de me alcançar para abraçar, pude vê-la em todo seu explendor.

O medo tinha fundamento. Se realizou. A minha menininha cresceu, já era uma mulher, uma mulher maravilhosa.

 

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