Esses trechos não estão muito inspirados, mas o importante agora é a intenção, não parar. Ir indo…

Foto de Estrelas

Tantas estrelas no céu. Ainda não aprendi a fotografá-las. Uma pena! Brilham fraquinho atrás da poluição de São Paulo. O copo na mão, quentinho, meu corpo gelado jogado pra trás na poltrona do terraço. Queria levar este céu comigo. Por uma foto bem grande no teto do quarto, com as estrelas brilhando fraco como agora. Pra eu olhar à noite enquanto penso,de olhos abertos, antes de dormir. Talvez assim sonhasse com elas, as estrelas. Mas faltaria este cheirinho de ar livre, mesmo poluído de fumaça, café e um pouco cigarro. Este ar fresco, até gelado, é o principal. Dormir olhando as estrelas, refrescado por ele. Sonhar com elas e com muito mais. Com sonhos.

Correria

Noite. Fim de um dia puxado. Acordei muito cedo. Correria, muita correria. Não deu pra fazer home de manhã, precisava de algumas coisas do meu note. Ele está no trabalho. Está com defeito, por isso o deixo lá. Não adianta trazer. Mas adiantaria para pegar o que eu precisava. Mais correria pro trabalho. Quatro horas pra ajeitar as coisas do notebook, disponibilizar na rede. Perdi o almoço. Puxei o carro. Passei no posto de gasolina. É o único lugar por aqui para se tomar café. Não posso café (valha-me Deus). Tem bolo. Uma fatia de bolo pra quebrar o jejum e uma lata de chá gelado. Correria, correria, correria. Nove e meia da noite. Ufa! Pronto.

Agora não quero ir pra casa. A rua é mais legal. Esta tarde para jantar fora, mas ainda dá para tomar um chá (café não pode, olha o que anos de vício em cafeína a cada meia hora fazem com alguém). O pão-de-queijo daqui é uma delícia. Não pode, engorda. E chegando em casa preciso fazer esteira pra agüentar a aula na academia na próxima semana. Queimar o bolo e a banha da barriga. Isso é secundário. O importante é acostumar os músculos, o coração e o pulmão. Até que eu achei que estivesse mais podre.

Sentado com o chá. Escrever algo. Escrever sobe esta correria, acabei escrevendo correndo. Não precisava. Mal dei dois goles no chá. Só precisava agora acalmar o ritmo e pensar em algo pra me esquentar à noite.

Vontade de Escrever

Eu tenho vontade de escrever, de escrever agora. Por isso quis passear agora, no frio. A noite está começando a gelar.

Não escrevo nada desde ontem à noite. Essas horas improdutivas, fazem-me mal. É como se não tivesse feito nada de minha vida. Não tivesse me passado nada de bom que eu queira contar. Como se eu tivesse vivido só a repetição da rotina, enfadonha, previsiva e prevista.

Está vontade de escrever é quase disciplinar. Não é a vontade de ter algo e não ver a hora de conseguir contar. É o querer contar e não saber o quê. Faz um frio que incomoda os braços, esqueci o agasalho. Na verdade, não quis usar agasalho, evito, me sufoca. Mas dói escrever no frio.

Tenho umas idéias, mas nada que eu consiga terminar de escrever ainda hoje. São idéias de histórias longas, longas histórias, que eu quero contar em detalhes, elaborar. Coisas que vão demorar semanas para contar como quero. Histórias que demoram semanas, meses, anos, uma ou duas vidas inteiras, para serem vívidas. Não podem ser contadas num ritmo apressado. Temos de contá-las assim, como são vividas, no mesmo ritmo.

Não são essas que eu quero contar agora. Eu quero algo para publicar hoje. Este dia precisa de algo. Se não tiver nada, não foi vivido, foi um dia a menos, desperdiçado.

Eu olho meu copão de chá, chá gelado, aqui no frio, no descoberto. É gostoso. Olho as mesas e poltronas em torno, noite de domingo é uma noite estranha, entendo um pouco porque não sai nada. Tentar escrever aqui e não conseguir me deixa estranho, triste.

Guardo minhas coisas. Por agora, paro. Paro, não desisto. Logo mais, à noite, — agora são oito, noite é depois das onze — depois do banho, no sofá, no escuro, pernas cobertas pelo edredon, televisão ligada em alguma porcaria, — de domingo, só tem porcaria — chá ao lado, na mesa, cabeça pousada no encosto do sofá, descansando, vou pensar. E, pensando, vou imaginar algo sem querer e vou escrever, quietinho, pensando no resto da noite.