Uma Pétala na Janela

Tenho saudades de ver minha borboleta à janela. Tenho descuidado das flores, sei bem. Borboletas gostam de cuidados. Há-de se ter muito cuidado com elas. E também com as flores que visitam. Essas fadinhas bonitas e delicadas que voam pelas flores não merecem menos que todo cuidado e carinho.

Ando triste de não a ver. Fico esperando-a, imaginando o que quero falar, contar. Não sei se tenho muito a lhe contar, de novidades. Mas quando a vejo, o assunto aparece, brota, como flores. Deve ser engraçado, mas bonito, para quem olha, ver um homenzarrão, tal ogro – o Shrek? — sorrir embevecido com o pouso de sua fada borboleta.

Descuido meu, a janela empenou e não a consertei a tempo. Julguei que ela não viria. A hora não era a habitual. Com a janela fechada, empenada, fiquei ali ao lado, acordado, pensando na saudade, mas sem ver o jardim, nem a janela. Pensava na música que não tinha coragem, mas que queria que ela me ouvisse cantar.

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Ela pousou, tarde da noite. A janela ainda empenada, eu não a vi. Soube depois, só no dia seguinte. Não sei se passou pelo jardim, mas veio mais perto, à minha janela, bateu. Eu, descuidado, não estava lá. Deixou-me uma pétala de rosa de uma cor linda, foi como um pequeno “Oi!” Quando a encontrei, arrancou-me de imediato um sorriso. Tinham que ver o sorriso carinhoso, e saudoso, de que fui capaz. Ela lembrou-se de mim. Eu nunca me esqueço dela.

Estou agora pensando se ela sabe com que felicidade eu soube da visita, como lamentei não tê-la recebido, e quanto carinho, sincero em meu coração, sua pétala, seu “Oi!”, iluminou.

Vou hoje dormir pensando nisso, ainda sorrindo… Dá-me vontade de plantar flores ainda toda a noite… E esperar se ela as vem olhar.

Circo

Na semana passada vi uma coisa na livraria que me chamou muito a atenção. Era um livro com uma coletânea de quadrinhos da editora Circo. É uma editora de meus tempos de criança em São Paulo, mas não eram quadrinhos para criança. Quem comprava era meu irmão, eu apenas lia. A editora durou pouco, talvez um ano, tinha poucos títulos, mas publicou algumas das melhores — e das piores também — HQs que eu já li. Algumas que ficaram na minha cabeça até hoje. O volume é grande, pesado, eu estava de metrô e ia correr ainda por vários compromissos, não convinha comprar no dia, seria ruim de carregar. Voltei no fim-de-semana e comprei.

Em casa, abri o livro, follheei para me lembrar dos títulos, os cartoonistas, as histórias, piadas e bobagens, muita bobagem. Mas a história que releria primeiro seria uma de que me recordo cada dia mais admirado. Ela foi publicada na revista Circo, a primeira e que deu nome à editora. Ela me deu idéia de uma história para contar, uma história que se parece com and HQ, mas a da HQ é muito melhor. Aconselho aos adultos, e àquele menino de Osasco.