Destino

Outro dia fui perguntado se acredito em destino.

Eu acho que se existir algum deus, alguma força que criou este mundo e nos criou ou pôs nele, não acho razoável ter-nos deixado ao, trocadilho infame, Deus-dará. Seria como termos um aquário, um viveiro, e não cuidarmos dos bichinhos, não brincarmos com eles.

Se, por outro lado, não existe esse ente, essa força, acho muito muita coincidência que equívocos e desencontros, com tanta freqüência, se juntem mais à frente do caminho, em encontros tão acertados. São acidentes, obstáculos, enganos. Devemos usá-los para evoluir.

Alguma coisa há, uma conspiração da natureza talvez, a vontade de um deus, a vontade conjunta das pessoas, desejo comum, percepção compartilhada, algo há. Não sei se isso é premeditado desde o começo dos tempos, para que possa ser chamado destino. Ou se é só coincidência. Eu prefiro não pensar muito nisso. Prefiro ficar feliz, aceitar, e colaborar para deixar rolar.

Lua e Sol

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Eu gosto muito, muito mesmo, tanto do sol quanto da lua.
Pra mim são um só, uma só. Uma amiga, companheira, bonita, agradável que, de dia, aquece e ilumina, de noite, guia, dá alento, reflete a luz do sol, sua própria.
De manhã cedo, bem cedo, toma café e sai resplandecente para trabalhar. Lá no alto. Seu trabalho é muito importante, vital. Ilumina e aquece, do bom dia à boa noite. Seu calor, tão gostoso, resiste na terra até o dia seguinte.
À noite, põe seu pijama, confortável e deita no céu, descansando.
Eu me deito também, longe, aqui embaixo, seu brilho por cobertor, com pena de dali não alcançá-la. Queria alcançá-la. Sonho bonito com ela. Por mim, passaria todas as noites fora de casa, ao relento, olhando-a. Assim, nem dormir precisaria para sonhar.

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Sonhos impróprios

Eu não devia falar isso, mas fiquei triste de saber que mais alguém sonha com você. Era de se esperar, não o culpo, você me parece mesmo ser um sonho de pessoa.
Eu também já tive sonhos impróprios com você.
Impróprio é um modo de falar. Seriam impróprios pra serem contados na TV em horário onde crianças e gente pudica pudessem assistir. Para mim, foram bons sonhos, antecipados.
Não foram sonhos adormecidos, inconscientes. Sonhei-os por querer, acordado, na minha imaginação, quieto no meu canto, cabeça no travesseiro ou no encosto do sofá, braços cruzados, abraçando a mim mesmo. E, nessa minha imaginação, vivo-os. Só na imaginação.
Alguns, contei-os aqui, para você. Talvez você não soubesse que estava neles. Isso não te contei.
Contar assim tudo do sonho é proibido. Nem dá pra explicar tudo. Queria ter um jeito de você os assistir, não como um filme, com os mesmos arrepios que emoções que eu senti.