Desculpa

Disse o menino para a menina:

“Nem sempre eu te dou boa noite, desculpa. Às vezes, parece que é porque o telefone está sem sinal, muitas vezes é mesmo, ontem foi a bateria que acabou, mas nem sempre é isso. É que, se demora pra ouvir teu boa noite, fico com receio do meu te incomodar. E também, eu sempre quero te desejar uma boa noite… mas nunca quero me despedir.”

😉

 

Treze de Maio

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Tatoo

Queria te tatuar em mim de um jeito que você nunca me deixasse. Que te levasse para todo lado, comigo, feito unha e carne. Não como uma bolsa, frasqueira a tira-colo. Queria te levar como parte de mim.
Se já te levo em pensamento, constante, em lembrança viva sempre, quero te levar também em meu corpo. Nele todo. Não só no braço, na perna ou nas costas. Não num lugar só meu, mas em mim.
Quero te tatuar sem tinta. Você mesma em mim. Um parte do outro para sempre.

A História do Ovo

Está é a história de um ovo de galinha. Você conhece ovo de galinha, não conhece? Eles não são redondos, nem ovais. Aliás, oval é uma palavra besta que arrumaram pra algo que não é como um ovo é. A forma oval é simétrica em dois eixos. Na escola, nos ensinam a fazê-la com lápis, dois pregos e um barbante. O ovo não é oval. Ele parece ser oval de um lado e redondo do outro. Mas isso depende de como a galinha o pariu. Ovo, quando nasce, é quente e mole, deforma fácil. Fica mais comprido, mais estreito, mais gordo, mais redondo, de acordo com a anatomia e esforço de sua mãe.
O nosso ovo, nosso é modo de falar, ele é da galinha, nosso ovo é dos mais comuns, passaria despercebido no meio de tantos outros ovos. Irmãos, primos, vizinhos. Todos iguais perante um humano. Mas não aos outros ovos.
Esse não parou em pé, nem deitado. Talvez tenha sido um impulso involuntário do granjeiro quando o pousou ao lado dos outros. De repente, tenha lhe tocado de leve, um peteleco, e ele, desequilibrado, tombou. Como João Bobo, bateu no seu vizinho da direita, e voltou, bateu no da esquerda, escorregou um pouco. Era muito torto esse ovo. Haveria um pinto brincalhão dentro? Ameaçou rodar, passou num vão entre outros dois. Encontrou a borda da mesa.
Quando achamos que iria se esborrachar no chão… o menino o pega e põe na bandeja. Aquela clássica de ovos. Vai ficar ali esperando ser quebrado para a refeição.
Talvez lhe façam só um fuinho e esvaziem para rechear com chocolate. Seria, todo pintadinho, um ovo de páscoa. Não pedia mais, já o menino o tinha salvo de sujar o chão.
Agora aceitaria ser pão, bolo, fritada, pochè, mas tinha o direito de querer ser ovo de páscoa.