Achados e Perdidos

cris
Achei este sapato.

Estou procurando a dona.

Se alguém a conhecer, por favor, deixe recado, eu lhe devolverei com prazer.

Não sou príncipe.

Mas, mesmo sendo sapo, não farei nenhum mal a essas borboletas.

Ainda Não

O balconista da loja pergunta:

“Vocês são namorados, casados…?”

Ela tenta começar a responder: “Não…”

Mas ele interrompe, mais rápido de pensamento: “Ainda não.”

O vendedor foi buscar a encomenda, sai rindo da cara dela. A cara era de surpresa.

Ele logo que terminou de falar, e falou sério mesmo, como quem dita um endereço, logo que terminou, olhou-a com um sorriso carinhoso.

Ela sorriu também e repreendeu de mentira: “Ah, eu fiquei sem-graça” Não estava em boa fase com o namorado que não a merecia, ele sabia disso. Sentiu-se lisonjeada com a cantada inesperada do amigo. Ele nunca escondeu que sentia algo por ela, só nunca deixou claro o quê.

“Olha que mulher bonita nesta foto.” Ele pega algo no balcão e lhe põe à frente do rosto. É um espelho. Ela não tem tempo de falar, porque ele completa: “Ela não merece ficar assim por quem não lhe valoriza.”

Se abraçam. Nunca tiveram nada e talvez nunca terão. Ele sofre junto por ela estar infeliz. Queria que ela encontrasse alguém que a fizesse feliz. Por mais que esse alguém o fizesse imensamente infeliz.