Ir Além

Tem um lago, gramado em volta, árvores. É um parque.
Deitamos na grama perto do lago, embaixo de uma árvore.
Pode ter formiga, sujar o cabelo com folhas. Dane-se.
O céu não está azul, tem nuvens, poluição. Faz um ventinho frio.
Mas dane-se. Estamos de agasalho.
Estamos com medo, receio, não dá pra falar de quê.
Mas deitamos lado a lado. Mãos dadas, olhando pra cima.
Parecemos um H ou M.
Que indelicado eu sou! Troco a mão que estava segurando a tua.
Agora seguro tua mão com a minha mão contrário, braço sobre a barriga.
O outro, dobrado, te ofereço como travesseiro.
Você aceita. Nossas cabeças ficam bem perto uma da outra.
Nos olhamos sorrindo. Queremos ir além.
Beijo seu rosto, um pedaço de um dos meus lábios toca também um pedaço dos teus.
Você, sorrindo bonita, esconde o rosto junto do meu pescoço.
Guardaremos isso por dias conosco com carinho.
Não é só o arrebatamento.
Ir além aos pouquinhos, construindo, também pode ser uma delícia.

Nem Todas as Cores São Iguais

Eu não acredito em relacionamento que comece numa balada ou coisa do tipo. Com correio elegante no bar, pensei que não existisse mais, mas ouvi a molecada do trabalho falando nisso.

Isso pode dar certo numa noite, duas. Muito logo um dos dois vai descobrir algo insuportável no outro.

Eu acredito em relacionamentos que se iniciam com a convivência. Antes de se olharem com outros olhos, os dois já têm uma certa idéia do que gostam ou não um no outro, estão conscientes e sabem onde pisam. Podemos chamar de pré-seleção.

Agota, os relacionamentos que eu acho que têm mais chance de dar certo, são aqueles que começam com uma pequena convivência que, aos poucos, vai se tornando rotineira, vira coleguismo, depois, freqüente, se torna amizade. Quando chega na hora de rolar algo, os dois já se conhecem bastante. E não é por isso que funciona. É porque só deu a vontade de rolar algo porque os dois já se conheciam.

Acho que no fim das contas, todo relacionamento que dá certo tem que construir uma amizade colorida.